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Tesouro IPCA+ em queda: quanto rende com recuo das taxas

As taxas do Tesouro IPCA+ registraram queda de até 10 pontos-base na última sexta-feira (17), em um movimento que reacendeu o debate sobre a distorção dos juros reais brasileiros. A correção no mercado de títulos públicos atrelados à inflação pode transformar alocações modestas em rentabilidades superiores ao CDI, dependendo do vencimento escolhido pelo investidor.

Segundo levantamento realizado pela Ghia Multi Family Office, um recuo de apenas 50 pontos-base nos juros reais — passando de 7,5% para 7,0%, por exemplo — já seria suficiente para superar o CDI projetado de 14,3% em títulos com duration (tempo até o vencimento) de pelo menos 6 anos, considerando um horizonte de alocação de 12 meses.

Projeções de Rentabilidade por Vencimento do Tesouro IPCA+

A análise da Ghia Multi Family Office demonstra que diferentes vencimentos do Tesouro IPCA+ apresentam potenciais de retorno variados diante de um mesmo cenário de fechamento das taxas. No vencimento de 2032, com duration de 6,3 anos, esse fechamento de 50 pontos-base entregaria rentabilidade de 15,2% em 12 meses.

Para o vencimento em 2035, com duration de 9 anos, a rentabilidade projetada alcançaria 16,4% no mesmo período. Já o título com vencimento em 2050, que possui duration de 24,3 anos, poderia entregar retorno de 23,7% em 12 meses, caso o cenário de fechamento se concretize.

Por outro lado, os vencimentos mais curtos não conseguem capturar o movimento com a mesma eficiência. A NTN-B 2028 entregaria apenas 13,2% no cenário de fechamento de 50 pontos-base, ficando aquém do CDI projetado. Já os vencimentos muito longos amplificam excessivamente o risco: uma elevação de 1 ponto percentual no título de 2050 resultaria em perda de 12,8% no período.

Estratégia de Duration Recomendada por Especialistas

Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia, explica que a preferência da gestora está concentrada nos vencimentos entre 2030 e 2032. “Para capturar o upside sem precisar contar tanto com a sorte, a gente prefere estar entre 2030 e 2032”, afirma Arantes. “Não precisa de uma duration tão longa. Se eventualmente tiver uma abertura maior, quem está muito longo acaba sofrendo mais do que compensa.”

Essa estratégia busca equilibrar o potencial de ganhos com o gerenciamento de riscos, evitando exposição excessiva à volatilidade que caracteriza os títulos de prazos muito longos. A escolha de vencimentos intermediários permite capturar parte significativa dos ganhos potenciais enquanto limita as perdas em cenários adversos.

Distorção dos Juros Reais Brasileiros no Contexto Global

A avaliação da Ghia sobre a precificação dos títulos públicos brasileiros aponta para uma distorção significativa quando comparada ao cenário internacional. O juro real de 10 anos das NTN-Bs está em 7,50%, patamar alinhado com os piores momentos de 2015-2016, período de grave crise econômica no país.

O juro real ex-ante do Brasil alcançou 9,50%, o segundo maior do mundo, ficando atrás apenas da Turquia. Este indicador é obtido ao descontar a inflação projetada para os próximos 12 meses da Selic atual. O spread versus TIPS americanas (títulos do Tesouro americano indexados à inflação) de 10 anos atingiu 5,65 pontos percentuais, superando todos os pares emergentes.

O CDS de 5 anos do Brasil, que funciona como um seguro contra calote e mede o risco-país percebido pelo mercado, está em 126 pontos. Este patamar é considerado incompatível com a taxa de juro real praticada, segundo a análise da gestora.

Comparação com Países de Risco Similar

A Ghia justifica sua avaliação de que os prêmios atuais são exagerados ao destacar a incompatibilidade entre o risco-país brasileiro e os juros praticados. Com dados do fechamento de março, o Brasil figurava como segundo maior juro real ex-ante do mundo, atrás apenas da Turquia, que registrava 10,38%.

A companhia neste grupo seleto inclui Rússia e Argentina, países em situações econômicas e geopolíticas significativamente mais graves. A Rússia está em guerra e sob sanções internacionais, com CDS de 5 anos em 13 mil pontos. A Argentina ainda enfrenta grave crise fiscal, com CDS acima de mil pontos. A Turquia possui CDS de 231 pontos.

Quando comparado a países com risco-país similar, o contraste se torna ainda mais evidente. O México apresenta CDS de 86 pontos e juro real ex-ante de 5,39%. A África do Sul tem CDS de 140 pontos e juro real de 5,22%. “Não faz sentido o preço que a gente vê hoje”, resume Arantes.

Alocação Recorde em Títulos Públicos de Inflação

Enquanto o mercado aumentava o prêmio do Tesouro IPCA+, preocupado com questões fiscais brasileiras, eleições e cenário externo, a Ghia alcançou a maior exposição aos títulos públicos de inflação de sua história. Mês a mês, a gestora elevou sua posição até atingir entre 25% e 30% dos portfólios alocados em NTN-Bs.

Segundo Arantes, a precificação alta das NTN-Bs não faz sentido quando confrontada com os fundamentos econômicos. A casa não costuma fazer mudanças bruscas de posicionamento, mas o juro real brasileiro chegou a um patamar que a gestora considera difícil de justificar, motivando o aumento expressivo da exposição.

O superávit primário necessário para estabilizar a relação dívida/PIB está em 4,27% com juro real a 7,5%, indicador que dificilmente será alcançado nas condições atuais, segundo a análise. Este é mais um elemento que reforça a percepção de distorção na precificação dos títulos.

Perspectivas para o Mercado de Renda Fixa

A queda recente das taxas do Tesouro IPCA+ representa uma validação parcial da tese de distorção defendida por gestoras como a Ghia. O movimento de correção, ainda que modesto, indica que parte do mercado começa a reavaliar os prêmios exigidos para os títulos públicos brasileiros atrelados à inflação.

Nos próximos meses, fatores como a evolução do cenário fiscal brasileiro, definições sobre política monetária e condições externas continuarão influenciando a trajetória das taxas. Investidores acompanham especialmente os dados de inflação e indicadores de atividade econômica, que podem fornecer sinais sobre a sustentabilidade dos níveis atuais de juros reais.

A escolha entre diferentes vencimentos do Tesouro IPCA+ permanece como decisão estratégica crucial para quem busca exposição a estes ativos. A relação entre risco e retorno varia significativamente conforme a duration, exigindo análise cuidadosa do horizonte de investimento e tolerância à volatilidade de cada investidor.

Este artigo é de natureza jornalística e informativa. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

Fonte: InfoMoney

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