Os títulos do Tesouro Direto abriram a sessão desta sexta-feira (10) com comportamento misto, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março surpreender o mercado para cima e alterar as expectativas para os próximos movimentos da taxa básica de juros no Brasil. O cenário externo também influenciou as negociações, com os rendimentos dos Treasuries americanos mostrando acomodação após dado de inflação nos Estados Unidos.
O IPCA de março registrou alta de 0,88%, levando o acumulado em 12 meses a 4,14%. O número veio acima do consenso do mercado e trouxe cautela adicional para os investidores que acompanham a renda fixa doméstica.
A surpresa inflacionária teve impacto direto nas expectativas para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A probabilidade de um corte de 25 pontos-base na Selic subiu para 90%, enquanto a chance de um corte mais agressivo, de 50 pontos-base, caiu para apenas 10%. O mercado, portanto, passou a precificar uma postura mais conservadora do Banco Central do Brasil.
O movimento nos títulos públicos reflete essa dinâmica. Vértices mais curtos apresentaram leve compressão ou estabilização, enquanto a ponta longa dos papéis atrelados à inflação exibiu queda mais clara nas taxas. O cenário reforça a atenção dos investidores tanto ao ambiente doméstico quanto às sinalizações externas.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries americanos mostraram certa acomodação neste início de sexta-feira. O índice de preços ao consumidor de março nos Estados Unidos indicou alta de 0,9%, em linha com o esperado. Além disso, o mercado monitorava as movimentações envolvendo EUA e Irã para reabertura do Estreito de Ormuz, com o petróleo se mantendo relativamente estável durante a manhã.
Tesouro Prefixado: movimento misto com viés benigno
Entre os títulos prefixados, o desempenho foi variado, mas com viés ainda considerado benigno pelos analistas. O Tesouro Prefixado 2029 subiu marginalmente, passando de 13,33% para 13,40%, indicando uma pequena correção após quedas mais expressivas em sessões anteriores.
Já o Tesouro Prefixado 2032 ficou praticamente estável, com a taxa saindo de 13,65% para 13,66%. O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 recuou levemente, de 13,79% para 13,76%, sinalizando algum alívio na ponta mais longa da curva prefixada.
O comportamento desses papéis é relevante para quem acompanha o cenário econômico brasileiro, especialmente diante da incerteza sobre o ritmo de cortes na Selic.
Tesouro IPCA+: ponta longa recua, trecho intermediário sobe
Nos títulos atrelados à inflação, o ajuste foi mais evidente na ponta longa. O Tesouro IPCA+ 2050 caiu de 6,87% para 6,85%, e o Tesouro IPCA+ 2040 recuou de 7,13% para 7,11%.
Em contrapartida, o Tesouro IPCA+ 2032 apresentou leve alta, passando de 7,56% para 7,58%. Esse movimento reforça a percepção de que o trecho intermediário da curva ainda carrega cautela por parte dos investidores, especialmente após o dado do IPCA acima do esperado.
Para o investidor interessado em proteção inflacionária de longo prazo, os papéis IPCA+ seguem como referência importante no universo da renda fixa. Vale observar também as alternativas como CDB, LCI, LCA e debêntures atreladas ao IPCA, que compõem o chamado crédito privado e podem oferecer prêmios adicionais sobre os títulos públicos.
Tabela de taxas do Tesouro Direto em 10 de abril
Confira abaixo as principais taxas praticadas no Tesouro Direto nesta sexta-feira (10):
- Tesouro Selic 2031: SELIC + 0,086% — Investimento mínimo: R$ 187,06
- Tesouro Prefixado 2029: 13,40% — Investimento mínimo: R$ 7,12
- Tesouro Prefixado 2032: 13,66% — Investimento mínimo: R$ 4,82
- Tesouro Prefixado c/ Juros Semestrais 2037: 13,76% — Investimento mínimo: R$ 8,31
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 7,58% — Investimento mínimo: R$ 29,46
- Tesouro IPCA+ c/ Juros Semestrais 2037: IPCA + 7,34% — Investimento mínimo: R$ 43,42
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,11% — Investimento mínimo: R$ 17,53
- Tesouro IPCA+ c/ Juros Semestrais 2045: IPCA + 7,10% — Investimento mínimo: R$ 42,82
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 6,85% — Investimento mínimo: R$ 9,40
- Tesouro IPCA+ c/ Juros Semestrais 2060: IPCA + 7,00% — Investimento mínimo: R$ 41,43
Tesouro Renda+ e Educa+: taxas na sessão
As linhas Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+, voltadas respectivamente para complemento de renda na aposentadoria e planejamento educacional, também registraram suas taxas nesta sessão. Veja os destaques:
- Tesouro Renda+ 2030: IPCA + 7,16% — Investimento mínimo: R$ 19,66
- Tesouro Renda+ 2035: IPCA + 7,01% — Investimento mínimo: R$ 14,26
- Tesouro Renda+ 2040: IPCA + 6,91% — Investimento mínimo: R$ 10,39
- Tesouro Renda+ 2045: IPCA + 6,84% — Investimento mínimo: R$ 7,58
- Tesouro Educa+ 2027: IPCA + 7,66% — Investimento mínimo: R$ 37,10
- Tesouro Educa+ 2028: IPCA + 7,62% — Investimento mínimo: R$ 34,53
- Tesouro Educa+ 2029: IPCA + 7,59% — Investimento mínimo: R$ 32,14
- Tesouro Educa+ 2030: IPCA + 7,55% — Investimento mínimo: R$ 29,95
- Tesouro Educa+ 2031: IPCA + 7,50% — Investimento mínimo: R$ 27,95
IPCA acima do consenso redefine apostas para o Copom
A divulgação do IPCA de março foi o principal catalisador doméstico da sessão. A inflação de 0,88% no mês elevou o acumulado de 12 meses para 4,14%, surpreendendo o consenso do mercado para cima.
Com isso, as apostas para a próxima reunião do Copom foram revisadas. A probabilidade de corte de 25 pontos-base na Selic subiu para 90%, e a chance de redução de 50 pontos-base recuou para 10%. O dado reforça a percepção de que o ciclo de afrouxamento monetário pode ser mais gradual do que o mercado estimava anteriormente.
Esse contexto é relevante não apenas para os títulos do Tesouro, mas também para instrumentos de crédito privado como CDB, LCI, LCA e debêntures, cujos retornos estão frequentemente atrelados à Selic ou ao IPCA. Para quem acompanha as tendências macroeconômicas, a seção de estratégia e finanças pessoais do Dia Financeiro traz análises aprofundadas sobre alocação em renda fixa.
A próxima reunião do Copom será o evento de maior atenção para os mercados de renda fixa nas próximas semanas. O resultado da decisão sobre a Selic tende a definir o rumo das taxas dos títulos públicos e dos spreads praticados no mercado de Tesouro Direto, influenciando diretamente o apetite dos investidores por papéis prefixados e atrelados à inflação.
Este artigo é de natureza jornalística e informativa. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
Fonte: Money Times