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Dólar abaixo de R$ 5: qual a melhor forma de comprar moeda

O dólar à vista rompeu nesta semana um patamar simbólico que o mercado não via há mais de dois anos. Pela primeira vez desde 2022, a moeda americana caiu abaixo de R$ 5 na segunda-feira, 13 de janeiro, em um movimento que ganhou força na terça-feira, 14, quando a divisa fechou com leve queda de 0,07%, cotada a R$ 4,993. Foi o menor nível em mais de dois anos e a quinta sessão consecutiva de desvalorização frente ao real.

Na semana anterior, a moeda brasileira já havia registrado o melhor desempenho contra o dólar desde agosto de 2024. De acordo com Carol Stange, educadora financeira, planejadora pessoal e consultora independente de investimentos há mais de uma década, este não é um patamar trivial para o mercado cambial brasileiro.

“A cotação do dólar abaixo de R$ 5 representa um nível historicamente favorável para aquisição da moeda”, afirma a especialista. Ainda assim, Stange alerta que tentar prever até onde a queda vai é uma estratégia arriscada para investidores e viajantes.

Estratégia de preço médio reduz riscos cambiais

“A volatilidade inerente ao mercado cambial torna a tentativa de prever o ‘fundo’ uma estratégia de alto risco”, explica Stange. Por isso, a recomendação mais prudente, segundo a especialista, é adotar o chamado preço médio, o que significa fracionar as compras ao longo do tempo para diluir o risco de variações abruptas na cotação.

Essa visão é praticamente unânime entre especialistas em finanças pessoais. O planejador financeiro Bruno Mori, que é membro da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), reforça que o momento ideal depende do objetivo da compra de dólares.

“Se o objetivo for dolarizar uma parte dos investimentos financeiros, o ideal é definir qual é a proporção da carteira que vai ser convertida em dólar e fazer as compras parcialmente”, afirma Mori. Esta abordagem evita que o investidor fique exposto a uma única cotação, que pode não representar o melhor ponto de entrada.

Como ajustar aportes em carteiras dolarizadas

Para investidores que já possuem carteira de investimentos dolarizada e o objetivo é continuar fazendo os aportes mensais, a recomendação dos especialistas é não se precipitar, mas aumentar a proporção destinada aos ativos em dólar em função da queda recente da moeda americana.

“Vale lembrar que, com a cotação em queda, a mesma quantidade de reais do aporte do mês anterior vai comprar mais dólares esse mês”, explica Mori. Isso significa que o investidor consegue aumentar sua exposição à moeda estrangeira sem necessariamente elevar o valor em reais destinado a essa classe de ativos.

Essa dinâmica é particularmente interessante para quem mantém uma estratégia de longo prazo de diversificação internacional, seja através de ETFs internacionais, BDRs ou fundos cambiais. A queda do dólar representa uma oportunidade de fortalecer essas posições com custos reduzidos.

Planejamento antecipado para viagens internacionais

Já para quem está de viagem marcada, o conselho dos planejadores financeiros é começar a comprar dólares com antecedência. “A estratégia é a mesma: fazer compras parciais para diminuir o risco de uma taxa de câmbio desfavorável”, diz Mori.

Na mesma linha, Stange sugere iniciar esse processo entre três e seis meses antes do embarque. Esse período permite ao viajante aproveitar eventuais quedas na cotação sem a pressão de ter que comprar todo o montante necessário em um único momento, que pode coincidir com uma alta pontual da moeda.

Qual a melhor forma de comprar e usar dólar

Com o câmbio mais favorável, surge outra dúvida prática entre consumidores e investidores: qual é o melhor meio para comprar e gastar em moeda estrangeira. As principais opções são o tradicional dinheiro em espécie, o cartão de crédito, o cartão pré-pago ou contas globais oferecidas por bancos digitais.

Segundo os planejadores financeiros, antes de comparar as alternativas, é importante entender que o custo não depende apenas da cotação do dólar. Ele envolve três fatores principais: o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o spread, que é a diferença entre o câmbio comercial e o cobrado pela instituição, e eventuais tarifas administrativas.

Por isso, todos os especialistas recomendam olhar sempre o Valor Efetivo Total (VET), que reúne todos esses custos em um único indicador. Essa métrica permite uma comparação real entre as diferentes opções disponíveis no mercado, evitando surpresas desagradáveis com custos ocultos.

Contas globais lideram como opção mais econômica

As chamadas contas globais, oferecidas por bancos digitais, vêm ganhando espaço como principal alternativa para quem precisa usar moeda estrangeira. Elas permitem converter reais em dólares e usar o saldo no exterior com cartão de débito. Segundo os especialistas consultados, o principal atrativo é o custo reduzido em comparação com alternativas tradicionais.

“Os bancos digitais oferecem câmbio mais próximo do comercial, com spread baixo e muita agilidade”, diz Mori. O IOF, nesses casos, é de 1,1% para remessas e conversões, consideravelmente menor que os 5,38% cobrados em compras no cartão de crédito internacional.

Na avaliação de Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, esses cartões são “a forma mais inteligente e barata de levar dinheiro, além de trazer mais segurança nas transações”. A segurança adicional vem do fato de que o dinheiro fica em conta digital, reduzindo riscos de perda ou roubo associados ao dinheiro em espécie.

Diferença entre dólar comercial e dólar turismo

Além disso, segundo Patzlaff, essas plataformas digitais costumam cobrar o dólar comercial, que é um pouco mais em conta do que o dólar turismo. Enquanto o dólar comercial tem ficado abaixo de R$ 5, o dólar turismo, usado em casas de câmbio tradicionais e bancos físicos, tem ficado em torno dos R$ 5,19.

Essa diferença pode parecer pequena à primeira vista, mas em valores maiores ou em viagens mais longas, o impacto financeiro se torna significativo. Para uma viagem que necessite de mil dólares, por exemplo, a economia pode chegar a quase R$ 200 apenas na cotação, sem considerar as diferenças em tarifas e IOF.

Os especialistas destacam que as contas globais também oferecem maior transparência nos custos, com a possibilidade de acompanhar a cotação em tempo real e escolher o melhor momento para fazer a conversão. Muitas dessas plataformas enviam alertas quando o dólar atinge determinado patamar, facilitando o planejamento financeiro.

Apesar das vantagens das contas globais, os planejadores financeiros ressaltam que ter uma pequena quantia em dinheiro vivo ainda é recomendável para emergências ou locais que não aceitam cartão. A sugestão é manter entre 10% e 20% do orçamento total da viagem em espécie.

Para quem já possui investimentos atrelados ao dólar, como BDRs, ETFs internacionais ou fundos cambiais, a queda da moeda representa também um momento de reavaliação da estratégia. Alguns investidores podem optar por aumentar a exposição aproveitando o patamar mais baixo, enquanto outros podem preferir realizar lucros em reais caso tenham comprado a moeda em patamares ainda mais favoráveis no passado.

O movimento recente do dólar reflete uma combinação de fatores internos e externos, incluindo a perspectiva de juros elevados no Brasil, fluxo de capitais estrangeiros e ajustes nas expectativas sobre a política monetária americana. No entanto, os especialistas alertam que o mercado cambial permanece volátil e sujeito a reversões rápidas.

Com o dólar se mantendo abaixo de R$ 5, o mercado financeiro observa atentamente os próximos movimentos da moeda e eventuais intervenções do Banco Central. Para investidores e viajantes, o cenário atual representa uma janela de oportunidade que deve ser aproveitada com estratégia e planejamento, sempre considerando o Valor Efetivo Total nas operações cambiais.

Este artigo é de natureza jornalística e informativa. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

Fonte: Exame

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