O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (24) a condenação de Evan Tangeman, de 22 anos, a 70 meses de prisão por seu envolvimento em um esquema de roubo de US$ 263 milhões em Bitcoin, equivalente a aproximadamente R$ 1,3 bilhão. A sentença inclui ainda três anos de liberdade supervisionada após o cumprimento da pena.
O caso ganhou notoriedade não apenas pelo volume expressivo de criptomoedas roubadas, mas também pelo perfil dos criminosos: um grupo majoritariamente composto por jovens entre 19 e 22 anos, com exceção de um indivíduo de 45 anos. O golpe foi executado em agosto de 2024, quando a vítima permitiu acesso remoto ao seu computador após acreditar estar em contato com uma equipe de suporte técnico.
Como Funcionava o Esquema de Roubo de Bitcoin
A operação criminosa utilizou táticas de engenharia social para enganar a vítima. Ao permitir acesso remoto ao computador, o alvo involuntariamente entregou o controle de suas carteiras de criptomoedas aos golpistas. Uma vez obtido o acesso, o grupo transferiu rapidamente os US$ 263 milhões em Bitcoin para carteiras sob seu controle.
Segundo investigação conduzida pelo analista de blockchain ZachXBT, os criminosos converteram os bitcoins roubados em outras criptomoedas, incluindo Litecoin, Ethereum e Monero, na tentativa de ocultar a origem dos recursos. Esta prática é conhecida no meio criminal como “chain hopping” e visa dificultar o rastreamento das autoridades através da blockchain.
Cada membro do grupo possuía uma função específica no esquema: desde a escolha de alvos e realização de ligações telefônicas até a lavagem do dinheiro. Evan Tangeman atuava especificamente na etapa de lavagem de dinheiro, facilitando a conversão dos ativos digitais roubados em bens de luxo e experiências extravagantes.
O Estilo de Vida Extravagante que Revelou os Criminosos
As autoridades americanas destacaram que os membros do grupo exibiam um padrão de gastos extremamente chamativo. Segundo o governo, os jovens chegavam a gastar US$ 500 mil por noite em casas noturnas, além de adquirir uma frota de carros exóticos e alugar mansões luxuosas em Los Angeles.
Malone Lam, de 20 anos, tornou-se o nome mais conhecido do grupo ao exibir veículos de luxo com seu nome estampado. As autoridades apreenderam diversos automóveis durante a operação, incluindo um Rolls-Royce Ghost e um Porsche GT3 RS. Os criminosos também fretavam jatos particulares para viagens.
Tangeman utilizava seus contatos com corretores imobiliários de Los Angeles para alugar grandes mansões destinadas aos membros do grupo. Os valores dos aluguéis variavam entre US$ 40 mil e US$ 80 mil mensais, sendo que algumas propriedades eram avaliadas entre US$ 4 milhões e quase US$ 9 milhões. Este comportamento ostensivo facilitou significativamente o trabalho investigativo das autoridades.
A Falha que Levou à Prisão do Grupo
Apesar das tentativas de ocultar a origem dos recursos através da conversão em diferentes criptomoedas, o grupo cometeu um erro fatal: eles mesmos vazaram suas identidades em uma transmissão realizada no Discord, plataforma de comunicação popular entre comunidades de tecnologia e criptomoedas.
Este vazamento involuntário de informações facilitou consideravelmente o trabalho das autoridades americanas. O FBI e o Departamento de Justiça conseguiram identificar e processar rapidamente os principais envolvidos. Malone Lam e Jeandiel Serrano foram os primeiros a enfrentar acusações relacionadas a roubo e lavagem de dinheiro.
Em maio de 2025, o governo americano expandiu significativamente a lista de acusados, totalizando 12 suspeitos. A investigação revelou a estrutura organizada do grupo, com cada membro desempenhando papéis específicos na execução do golpe e na posterior lavagem dos recursos obtidos.
A Condenação e as Declarações da Justiça
A procuradora Pirro, responsável pelo caso, foi enfática em suas declarações durante o julgamento: “Essa organização criminosa foi construída sobre uma ganância tão escancarada que beira o caricatural. Eles roubaram milhões e gastaram em contas de boate de meio milhão de dólares, Lamborghinis e Rolexes.”
A procuradora também destacou que Tangeman não apenas lavou o dinheiro que alimentou o estilo de vida extravagante do grupo, mas também tentou obstruir a justiça. “Quando seus cúmplices foram presos, ele passou a destruir provas. Isso demonstra consciência de culpa, e este gabinete e o tribunal trataram o caso de acordo”, afirmou Pirro.
A tentativa de destruição de evidências após a prisão de outros membros foi considerada um agravante na determinação da pena, demonstrando que Tangeman tinha plena consciência da ilegalidade de suas ações e buscou ativamente prejudicar o andamento das investigações.
Reação da Comunidade e Críticas à Sentença
A condenação de 70 meses, equivalente a aproximadamente 5 anos e 8 meses de prisão, gerou amplo debate nas redes sociais. Muitas pessoas consideraram a pena insuficiente quando comparada ao montante roubado e ao impacto do crime.
Nos comentários da publicação feita pelo FBI, diversos usuários expressaram insatisfação. “Roubaram 200 milhões e ele não vai pegar prisão perpétua. Que besteira!”, escreveu um internauta. Outro comentou de forma irônica: “Só isso? 263 milhões por 70 meses. Como a gente se inscreve?”
Um terceiro usuário questionou: “Seis anos, quem a gente está tentando enganar? O cara deve estar rindo dessa pena. Eu ficaria tranquilamente 10 anos na cadeia por 260 milhões.” As reações refletem uma percepção pública de desproporcionalidade entre o crime cometido e a punição aplicada.
Implicações para o Mercado de Criptomoedas
Este caso ilustra tanto as vulnerabilidades quanto as capacidades de rastreamento existentes no ecossistema de criptomoedas. Embora os criminosos tenham conseguido inicialmente roubar uma quantia expressiva de Bitcoin, a natureza transparente da blockchain permitiu que investigadores especializados rastreassem os movimentos dos fundos.
A conversão para moedas com maior privacidade, como Monero, representa uma tentativa comum de dificultar o rastreamento. No entanto, as exchanges de criptomoedas têm implementado cada vez mais rigorosas políticas de Know Your Customer (KYC) e compliance, tornando mais desafiador para criminosos converterem grandes volumes de ativos digitais sem levantar suspeitas.
O caso também reforça a importância da educação em segurança digital. A vítima inicial caiu em um golpe relativamente simples de engenharia social, destacando a necessidade de maior conscientização sobre práticas seguras no manuseio de criptomoedas e acesso remoto a dispositivos.
Com 12 suspeitos identificados e processos em andamento, espera-se que novas condenações sejam anunciadas nos próximos meses. O desdobramento deste caso servirá como importante precedente para futuras investigações envolvendo crimes cibernéticos com criptomoedas, especialmente considerando o perfil jovem dos envolvidos e a sofisticação parcial do esquema utilizado.
Este artigo é de natureza jornalística e informativa. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
Fonte: Livecoins