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Assaí atribui queda de 46,7% no lucro a bets e remédios

O Assaí Atacadista reportou lucro líquido de R$ 86 milhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma queda anual de 46,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia atribuiu o resultado à forte pressão no consumo das famílias brasileiras, influenciado por fatores inéditos no mercado varejista: o crescimento das apostas esportivas online (bets) e o uso disseminado de medicamentos para emagrecimento.

A receita bruta do atacadista somou R$ 20,6 bilhões no período, registrando crescimento modesto de 1,7% na comparação anual. Contudo, o resultado foi significativamente limitado por um fenômeno deflacionário sem precedentes em produtos da cesta básica, com quedas de aproximadamente 12% em itens essenciais como arroz, feijão, açúcar, leite e óleo de soja.

Deflação inédita em produtos básicos pressiona receita do Assaí

O CEO do Assaí Atacadista, Belmiro Gomes, destacou o caráter excepcional do cenário macroeconômico enfrentado pela companhia. Segundo o executivo, é inédito para profissionais com décadas de experiência no setor observar deflação simultânea dessa magnitude no grupo de produtos que compõem a cesta básica.

As vendas em mesmas lojas (SSS) recuaram 0,9% no trimestre, reflexo direto da combinação entre deflação de alimentos e retração no poder de compra das famílias. Apesar desse resultado negativo, o Assaí conseguiu ampliar sua participação de mercado em 0,3 ponto percentual, sinalizando ganho de competitividade frente aos concorrentes do setor atacadista.

O desempenho das vendas mesmas lojas representa um indicador crucial para o varejo, pois mede o crescimento orgânico sem considerar novas aberturas de unidades. A queda de 0,9%, mesmo em contexto de ganho de market share, evidencia a intensidade da pressão sobre o consumo popular brasileiro.

Medicamentos para emagrecer alteram padrões de consumo alimentar

Um dos fenômenos mais relevantes apontados pela companhia envolve mudanças estruturais nos hábitos alimentares da população brasileira. O CEO Belmiro Gomes explicou que o crescimento acelerado no uso de medicamentos para controle de peso, como Ozempic e Mounjaro, está provocando alterações significativas na demanda por determinadas categorias de produtos.

O executivo destacou especificamente o impacto sobre a categoria de carboidratos, que representa parcela relevante da cesta de compras típica do consumidor brasileiro. A redução no consumo desses produtos, motivada pelos efeitos dos medicamentos emagrecedores, representa um desafio inédito para o planejamento comercial do atacado brasileiro.

Esse fenômeno se soma a outro fator crítico identificado pela companhia: o mercado de apostas esportivas online. Segundo Gomes, as bets se mantêm como um dos principais responsáveis pelo crescente endividamento das famílias brasileiras, especialmente nas faixas de renda mais baixa, público-alvo prioritário do modelo de negócio do Assaí.

Endividamento familiar supera 80% e pressiona consumo popular

O primeiro trimestre de 2026 foi marcado por uma combinação incomum de fatores macroeconômicos adversos, conforme análise apresentada pelo CEO do Assaí. O alto nível de endividamento das famílias brasileiras ultrapassou a marca de 80%, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O resultado financeiro líquido da companhia totalizou R$ 564 milhões, representando aumento de 10,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Esse incremento reflete principalmente a elevação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) médio, que passou de 2,96% no primeiro trimestre de 2025 para 3,37% em igual período de 2026.

A conjugação entre juros elevados, endividamento recorde e novos padrões de consumo (apostas e medicamentos) configura um cenário desafiador para o setor atacadista, que tradicionalmente atende às camadas de menor poder aquisitivo da população brasileira.

Margens operacionais demonstram resiliência do modelo de negócio

Apesar dos desafios macroeconômicos, o Assaí conseguiu manter indicadores operacionais relativamente saudáveis. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ficou em R$ 1 bilhão, mantendo-se em linha com o resultado do ano anterior e preservando margem de 5,5%.

A margem bruta registrou avanço para 16,7%, alta de 0,3 ponto percentual na comparação anual. Esse resultado foi sustentado pela maturação das lojas abertas nos últimos anos e por ajustes estratégicos na política de precificação da companhia, demonstrando capacidade de adaptação ao ambiente competitivo.

As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) cresceram 2,7%, totalizando R$ 2,1 bilhões no trimestre. Esse crescimento, contudo, ficou abaixo da inflação do período, indicando eficiência na gestão de custos operacionais em cenário adverso.

Créditos tributários elevam lucro contábil do trimestre

O resultado trimestral do Assaí foi significativamente impactado pelo reconhecimento de créditos tributários. A companhia registrou R$ 281 milhões em novos créditos de PIS/Cofins, o que elevou o lucro líquido contábil para R$ 367 milhões no período.

Excluindo esses efeitos extraordinários, o lucro líquido recorrente totalizou R$ 174 milhões, representando alta de 7% na comparação anual. Esse indicador permite análise mais precisa do desempenho operacional, revelando crescimento moderado da rentabilidade recorrente do negócio.

A distinção entre lucro contábil e recorrente é fundamental para investidores avaliarem a sustentabilidade dos resultados de companhias de capital aberto, especialmente em trimestres marcados por eventos não recorrentes de natureza tributária ou financeira.

Geração de caixa e redução de alavancagem financeira

A geração de caixa livre do Assaí atingiu R$ 2,2 bilhões nos últimos 12 meses, registrando crescimento expressivo de 34% em relação a igual período anterior. O resultado foi impulsionado pelo menor nível de investimentos de expansão e pelo crescimento do Ebitda acumulado.

A alavancagem financeira da companhia apresentou melhora significativa, caindo para 2,52 vezes dívida líquida sobre Ebitda, ante 3,15 vezes no primeiro trimestre de 2025. Esse é o menor nível de endividamento relativo registrado pelo Assaí desde o quarto trimestre de 2021.

O atacadista também reduziu em R$ 1,2 bilhão o volume de recebíveis descontados e encerrou o período com disponibilidade total de caixa de R$ 7,5 bilhões, alta de 25,1% na base anual. Essa posição de liquidez reforça a capacidade da companhia de enfrentar períodos de volatilidade macroeconômica.

Perspectivas para o setor atacadista brasileiro

Os resultados do Assaí no primeiro trimestre de 2026 evidenciam desafios estruturais que transcendem a gestão individual da companhia, afetando o setor atacadista como um todo. A combinação entre deflação de alimentos básicos, mudanças nos hábitos de consumo provocadas por medicamentos emagrecedores e o impacto das apostas online sobre o orçamento familiar configura cenário inédito para o varejo brasileiro.

A capacidade do Assaí de manter margens operacionais resilientes e reduzir alavancagem financeira, mesmo em ambiente adverso, será testada nos próximos trimestres. O mercado acompanhará atentamente a evolução desses fenômenos estruturais e sua persistência ao longo de 2026, especialmente considerando as expectativas para a trajetória da taxa básica de juros (Selic) e seus efeitos sobre o consumo das famílias de menor renda.

Este artigo é de natureza jornalística e informativa. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

Fonte: Exame

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