O Magazine Luiza (MGLU3) ingressou no mercado de renda fixa com o lançamento de seu primeiro Certificado de Depósito Bancário (CDB) através do MagaluPay SCFI. A emissão oferece rentabilidade de até 104,5% do CDI para investidores pessoa física, posicionando-se como alternativa competitiva no segmento de crédito privado.
Disponível desde março na XP Investimentos e, mais recentemente, na Toro Investimentos, o CDB apresenta taxas escalonadas de acordo com o prazo de aplicação. A distribuição deve ser expandida para outras corretoras nos próximos meses, ampliando o acesso ao produto.
Estrutura de Rentabilidade do Novo CDB
A remuneração do CDB MagaluPay varia conforme o período de investimento escolhido pelo aplicador. Para o prazo de dois anos, a rentabilidade atinge 104,5% do CDI, representando o percentual mais atrativo da emissão.
Investimentos com vencimento em um ano oferecem 103% do CDI, enquanto aplicações de seis meses remuneram à taxa de 102,5% do CDI. Todos os percentuais situam-se acima da taxa referencial do mercado interbancário, característica que diferencia o produto em um cenário de juros elevados.
A emissão representa mais do que uma simples captação de recursos. O movimento integra uma estratégia ampla de reestruturação da forma como a companhia financia suas operações de crédito ao consumidor.
Mudança Estrutural na Estratégia de Funding
O lançamento do CDB marca uma transformação significativa no modelo de financiamento do Magazine Luiza. A empresa pretende reduzir gradualmente a dependência de recursos externos e sustentar o crescimento da carteira de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) com capital próprio captado diretamente no mercado.
Além da distribuição através de corretoras de valores, o produto será oferecido diretamente no aplicativo do MagaluPay. A funcionalidade utilizará as chamadas “caixinhas” de investimento com liquidez diária, formato já conhecido pelo público de fintechs e bancos digitais.
A abordagem visa capturar recursos dentro do próprio ecossistema digital da empresa, criando um ciclo integrado onde clientes, operações de crédito e captação de recursos coexistem no mesmo ambiente tecnológico. Essa integração vertical pode reduzir custos de intermediação e fortalecer o relacionamento com a base de usuários.
A meta estabelecida pela companhia é ambiciosa: financiar 100% da expansão da carteira de CDC com instrumentos próprios, incluindo CDBs e Letras Financeiras, até o encerramento de 2026. O prazo estabelecido exige avanço acelerado na captação nos próximos 18 meses.
Fortalecimento do MagaluPay como Instituição Financeira
A oferta do CDB ocorre em paralelo ao amadurecimento do MagaluPay como instituição financeira regulada. A operação obteve licença do Banco Central em fevereiro de 2025, marco que habilitou a estrutura a operar com maior autonomia no sistema financeiro nacional.
A financeira recebeu recentemente seu primeiro rating de crédito, com classificação ‘AA-(bra)’ atribuída pela Fitch Ratings, acompanhada de perspectiva estável. A avaliação externa tende a reforçar a confiança de investidores institucionais e pessoas físicas nas emissões da companhia.
Ratings dessa natureza consideram capacidade de pagamento, estrutura de capital, governança e perspectivas do negócio. A nota obtida posiciona o MagaluPay em patamar considerado de baixo risco de crédito na escala nacional brasileira.
Internalização da Originação de Crédito
Na prática operacional, o processo de internalização do crédito já vem sendo implementado de forma acelerada. Em 2025, aproximadamente 10% das originações de CDC foram realizadas pela própria financeira do grupo, fatia que avançou para cerca de 50% até o fim de março.
A expectativa da administração é atingir 100% de internalização ainda no primeiro semestre do ano corrente. Esse movimento representa transferência completa da originação de crédito para dentro da estrutura regulada do MagaluPay, eliminando intermediários e custos associados.
A carteira de CDC encerrou 2025 em R$ 1,8 bilhão, registrando crescimento de 15% em relação ao fim de 2024. Os números consolidam o crédito como uma das principais alavancas de vendas do grupo, funcionando como facilitador de conversão nas plataformas digitais e lojas físicas.
Competitividade no Segmento de Crédito Privado
Com remuneração superior ao CDI, o CDB MagaluPay posiciona-se competitivamente no universo de renda fixa atrelada ao crédito privado. Em ambiente de taxa Selic elevada, produtos que ultrapassam o CDI representam ganho real de rentabilidade para investidores.
O segmento de crédito privado tem experimentado expansão nos últimos anos, atraindo investidores em busca de retornos superiores aos oferecidos por títulos públicos. A entrada de um emissor ligado a uma grande varejista amplia as opções disponíveis no mercado.
A proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre aplicações em CDB até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, adicionando camada de segurança às aplicações de pequenos e médios investidores.
Ecossistema Financeiro Integrado
A estratégia do Magazine Luiza de oferecer CDB diretamente em seu aplicativo insere-se em movimento mais amplo de construção de ecossistema financeiro integrado. Grandes varejistas têm buscado capturar valor ao longo de toda a jornada do consumidor, incluindo serviços financeiros.
A lógica operacional envolve transformar clientes em investidores e vice-versa, utilizando os recursos captados para financiar compras na própria plataforma. Esse círculo virtuoso pode aumentar a recorrência de uso do aplicativo e fortalecer indicadores de engajamento.
Além disso, dados de comportamento financeiro e de consumo podem ser combinados para aprimorar modelos de concessão de crédito, análise de risco e personalização de ofertas, gerando vantagens competitivas difíceis de replicar.
Perspectivas para o Segundo Semestre
O acompanhamento da evolução da captação via CDB nos próximos meses será determinante para avaliar a viabilidade da meta de autofinanciamento até 2026. A ampliação da distribuição para novas corretoras e a adesão de clientes via aplicativo serão indicadores relevantes.
Paralelamente, a trajetória da carteira de CDC e os índices de inadimplência fornecerão sinais sobre a saúde da operação de crédito e a efetividade dos modelos de análise de risco adotados pela financeira. O equilíbrio entre crescimento e qualidade dos ativos será essencial para a sustentabilidade da estratégia no médio prazo.
Este artigo é de natureza jornalística e informativa. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
Fonte: Money Times