A XP Investimentos reiterou, em relatório recente, a recomendação de compra para o fundo imobiliário Mauá Capital Recebíveis (MCCI11). Os analistas Marx Gonçalves e Eduardo Bacelar destacaram o perfil conservador do fundo, sua proteção contra a inflação e um dividend yield projetado de 11,5% para os próximos 12 meses. A recomendação reforça o interesse de investidores que buscam renda passiva em um ambiente de inflação pressionada no Brasil.
O MCCI11 pertence ao segmento de fundos de papel — aqueles que investem em títulos de crédito imobiliário, como CRIs — e é acompanhado de perto por quem monitora o mercado de renda variável em busca de alternativas com menor volatilidade e fluxo de caixa recorrente.
Desde sua estreia no mercado, em 2019, o fundo acumula retorno total de 94,15%, considerando tanto a variação da cota de mercado quanto os rendimentos distribuídos. Segundo a dupla de analistas, esse desempenho supera o do IFIX e o do CDI bruto no mesmo período.
O fundo ainda permanece praticamente em linha com a média dos fundos de recebíveis que compõem o índice, mesmo apresentando um perfil de risco mais baixo — o que, na avaliação da XP, representa um diferencial relevante para investidores mais conservadores.
Carteira do MCCI11: composição e qualidade dos ativos
De acordo com o relatório da XP, o MCCI11 tem atualmente 76% do patrimônio alocado em 26 CRIs, majoritariamente de originação própria. Essa característica, segundo os analistas, assegura maior controle sobre as operações e sobre o perfil de risco dos devedores.
A composição restante do portfólio é dividida da seguinte forma:
- 12% em cotas de outros veículos imobiliários
- 10% em alocação tática
- 2% em caixa
Os analistas apontam que grande parte do portfólio está concentrada em ativos de menor risco — classificados como high grade —, tendo como principais devedores fundos imobiliários e empresas patrimonialistas.
Para quem acompanha o cenário econômico brasileiro, um dado chama atenção: aproximadamente 98% da carteira está indexada ao IPCA, o índice oficial de inflação do país. Isso confere ao fundo uma proteção estrutural contra a corrosão do poder de compra ao longo do tempo.
Proteção contra a inflação como diferencial do MCCI11
A quase totalidade dos CRIs atrelada ao IPCA é, segundo a XP, um dos principais atrativos do fundo no contexto atual. Com pressões inflacionárias decorrentes de tensões geopolíticas e fatores domésticos, fundos com essa característica tendem a preservar melhor o valor real dos rendimentos distribuídos.
O Banco Central do Brasil acompanha de perto a trajetória do IPCA para calibrar a política monetária, o que torna a indexação dos CRIs do MCCI11 um elemento estratégico em momentos de incerteza econômica.
Essa proteção inflacionária é especialmente relevante para investidores de renda fixa e de fundos imobiliários que desejam manter o poder de compra dos rendimentos ao longo do tempo.
Gestão ativa impulsiona dividendos do fundo
Outro ponto central na análise da XP é a gestão ativa do fundo, que se reflete no processo contínuo de reciclagem do portfólio. Segundo os analistas, nos últimos dois anos — mesmo sem novas emissões de cotas —, a gestão movimentou cerca de R$ 720 milhões em ativos.
Essa movimentação aproveitou vencimentos ordinários e antecipados para realocar capital em operações de risco semelhante, mas com taxas mais elevadas. O resultado foi uma melhora expressiva no retorno médio da carteira:
- Taxa média de aquisição foi de IPCA + 7% para IPCA + 8,4% ao ano
- Ampliação de 1,4 ponto percentual no spread da carteira
- Aumento na distribuição mensal de R$ 0,80 (em 2024) para R$ 1,00 por cota
Os vencimentos antecipados também geraram ganhos de capital por meio das multas de pré-pagamento, reforçando a reserva acumulada do fundo e contribuindo diretamente para o aumento dos dividendos distribuídos.
Dividend yield de 11,5%: o que a XP projeta para os próximos meses
Para os próximos 12 meses, a XP estima um dividend yield de 11,5% para o MCCI11, com rendimento médio mensal de R$ 0,92 por cota. A projeção já considera uma normalização dos rendimentos ao longo do segundo semestre deste ano, após o período de distribuições mais elevadas.
Mesmo com essa normalização esperada, a corretora avalia que o nível de retorno projetado, aliado à qualidade da gestão e do portfólio, mantém o MCCI11 bem posicionado entre os fundos de recebíveis disponíveis no mercado.
Na avaliação dos analistas, a combinação entre projeção de dividendos, carrego da carteira e qualidade da gestão torna o fundo uma alternativa relevante no segmento de recebíveis — especialmente diante de um cenário em que tensões geopolíticas possam continuar pressionando o IPCA.
Investidores que acompanham estratégias de finanças pessoais e alocação patrimonial costumam considerar fundos com esse perfil como complemento a carteiras diversificadas, dada a combinação de renda recorrente e proteção inflacionária.
Riscos que os investidores devem monitorar
A XP também elencou os principais riscos associados ao MCCI11. O fundo, como seus pares do segmento, está exposto a oscilações de mercado influenciadas por fatores macroeconômicos e mudanças em políticas públicas.
Entre os riscos específicos destacados no relatório, estão:
- Exposição a oscilações macroeconômicas e mudanças regulatórias
- Risco de inadimplência dos devedores dos CRIs
- Tempo necessário para execução de garantias em caso de inadimplência, mesmo quando os ativos possuem colateral imobiliário
A corretora ressalta que, embora as operações contem com garantias — incluindo imóveis performados e bem localizados —, o processo de execução dessas garantias pode ser demorado, o que representa um risco para a continuidade dos rendimentos no curto prazo.
Para informações sobre o mercado de capitais e fundos imobiliários no Brasil, a B3 — Brasil, Bolsa, Balcão disponibiliza dados e informações sobre os ativos listados, incluindo o MCCI11.
Perspectivas do MCCI11 para o segundo semestre
A XP projeta que o desempenho do MCCI11 ao longo do segundo semestre de 2025 será influenciado pela trajetória da inflação e pela capacidade da gestão de continuar reciclando o portfólio de forma eficiente. A normalização dos rendimentos já está incorporada na estimativa de R$ 0,92 por cota ao mês nos próximos 12 meses.
O próximo evento relevante a ser acompanhado pelos cotistas é a evolução dos vencimentos de CRIs na carteira e eventuais novas emissões, que podem alterar o perfil de alocação e o patamar de rendimentos do fundo. A trajetória do IPCA também seguirá como variável-chave para o desempenho do MCCI11 no médio prazo.
Este artigo é de natureza jornalística e informativa. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
Fonte: Money Times