Os títulos públicos negociados no Tesouro Direto apresentaram movimentação mista nesta segunda-feira (13), com predominância de ajustes altistas entre os prefixados e papéis atrelados à inflação de curto e médio prazos. O movimento reflete a reprecificação de risco dos investidores diante de dois fatores principais: a piora nas expectativas de inflação doméstica divulgadas pelo Boletim Focus e o recrudescimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Entre os destaques, o Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037 atingiu a maior taxa da sessão, alcançando rentabilidade de 13,67% ao ano. O patamar representa alta marginal em relação ao fechamento anterior, quando rendia 13,64%, e consolida um movimento de devolução parcial das compressões observadas nos últimos pregões.
Prefixados Registram Alta Generalizada nas Taxas
Os títulos prefixados apresentaram viés de alta em todos os vencimentos acompanhados pelo programa. O Tesouro Prefixado 2029 avançou de 13,39% para 13,50% ao ano, devolvendo parte da compressão observada em sessões anteriores. Já o papel com vencimento em 2032 também subiu, saindo de 13,57% para 13,62% ao ano.
O movimento nos prefixados indica cautela dos investidores em relação ao cenário prospectivo para a taxa básica de juros. Com as expectativas de inflação sendo revisadas para cima, o mercado passa a precificar menor espaço para cortes na Selic nos próximos meses, o que pressiona as taxas dos títulos que pagam rendimento fixo.
IPCA+ Apresenta Comportamento Divergente na Curva
Nos títulos atrelados à inflação, o comportamento foi mais heterogêneo. A ponta longa da curva seguiu em movimento de alívio, com o IPCA+ 2050 recuando de 6,84% para 6,82% ao ano. O IPCA+ 2040 também apresentou queda, saindo de 7,11% para 7,07% ao ano, indicando continuidade na redução dos prêmios mais longos.
Por outro lado, o trecho intermediário mostrou pressão. O IPCA+ 2032 subiu de 7,57% para 7,59% ao ano, reforçando a cautela dos investidores no segmento de médio prazo. Essa divergência sugere que o mercado vê riscos concentrados no horizonte dos próximos anos, mas mantém expectativas mais benignas para o longo prazo.
Boletim Focus Eleva Projeções de Inflação pela Quinta Vez
O principal fator doméstico que influenciou os negócios foi a divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central. Os economistas ouvidos pela autoridade monetária ajustaram as projeções para a inflação brasileira pela quinta semana consecutiva, sinalizando deterioração continuada nas expectativas.
As estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 aumentaram de 4,36% para 4,71% ao ano. O novo patamar coloca a inflação projetada fora da faixa de tolerância da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3,00% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Para 2027, as expectativas também avançaram, saindo de 3,85% para 3,91% ao ano. Já para os anos de 2028 e 2029, as projeções foram mantidas em 3,60% e 3,50%, respectivamente. A piora nas estimativas reflete principalmente o impacto da alta do petróleo desde o início das tensões no Oriente Médio.
Na semana passada, o mercado recebeu os dados de inflação referentes a março, que vieram acima do esperado pelos analistas. O resultado negativo decorreu em grande medida do repasse dos aumentos nos preços dos combustíveis, pressionados pela escalada nos valores do barril de petróleo no mercado internacional.
Trump Ameaça Bloqueio ao Estreito de Ormuz
No cenário externo, as tensões geopolíticas voltaram a pesar sobre os ativos de risco globalmente. Os mercados reagiram negativamente ao fracasso das negociações realizadas no final de semana entre Estados Unidos e Irã, sem avanços concretos para a redução do conflito na região.
O presidente norte-americano Donald Trump elevou o tom das ameaças contra o Irã. Em publicação nas redes sociais, o mandatário afirmou que os Estados Unidos devem tomar medidas contra todas as embarcações em águas internacionais que pagarem pedágio ao Irã. Trump também indicou que ordenará a destruição de minas lançadas pelos iranianos no Estreito de Ormuz.
A possibilidade de bloqueio ao Estreito de Ormuz representa risco significativo para o comércio global de petróleo, uma vez que a passagem é responsável pelo transporte de cerca de um terço do petróleo marítimo mundial. Qualquer interrupção nessa rota comercial tende a pressionar ainda mais os preços da commodity, com impactos diretos sobre a inflação global.
Panorama Completo das Taxas do Tesouro Direto
Além dos títulos já mencionados, outros papéis do programa também apresentaram movimentações relevantes. O Tesouro Selic 2031 manteve sua remuneração de Selic + 0,0857% ao ano, com investimento mínimo de R$ 187,16 e preço unitário de R$ 18.716,66.
Entre os títulos com pagamento de juros semestrais, o IPCA+ com juros semestrais 2037 oferece rentabilidade de IPCA + 7,35% ao ano, com investimento mínimo de R$ 43,41. Já o IPCA+ com juros semestrais 2045 paga IPCA + 7,09% ao ano, com aporte inicial de R$ 42,89.
Os títulos da linha Renda+, destinados à complementação de aposentadoria, apresentaram taxas entre IPCA + 6,74% (vencimentos mais longos) e IPCA + 7,15% (Renda+ 2030). O Tesouro Educa+ 2027, voltado para o planejamento educacional, oferece a maior taxa entre os papéis híbridos, com rendimento de IPCA + 7,71% ao ano.
Perspectivas para os Próximos Dias
Os investidores devem manter atenção redobrada aos desdobramentos das tensões no Oriente Médio, que seguem como principal vetor de volatilidade no mercado global. Qualquer escalada adicional do conflito pode pressionar ainda mais os preços do petróleo, com reflexos diretos sobre as expectativas inflacionárias.
No cenário doméstico, a agenda econômica da semana será relativamente esvaziada, mas o mercado seguirá monitorando a evolução das projeções do Focus. A sequência de elevações nas estimativas de inflação pode reforçar a percepção de que o Banco Central terá menor margem para reduzir a Selic no curto prazo, mantendo as taxas dos títulos prefixados em patamares elevados. A divulgação de novos indicadores de atividade e inflação nas próximas semanas será determinante para a formação de preços nos papéis do Tesouro Direto.
Este artigo é de natureza jornalística e informativa. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
Fonte: Money Times