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XP recomenda renda fixa com IPCA+ até 10,98% em maio

A XP Investimentos divulgou sua carteira recomendada de renda fixa para maio de 2025, mantendo uma postura predominantemente conservadora em meio ao cenário macroeconômico ainda desafiador. A estratégia da corretora privilegia ativos pós-fixados para capturar o nível elevado da taxa básica de juros, ao mesmo tempo em que explora oportunidades seletivas em crédito privado para investidores dispostos a assumir riscos controlados.

A recomendação surge após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter reduzido a Selic para 14,50% ao ano no final de abril. Apesar do início do ciclo de cortes, a inflação permanece no radar das autoridades monetárias, pressionada por fatores externos como o preço elevado do petróleo e tensões geopolíticas que impactam a economia global e doméstica.

Estratégia conservadora prioriza pós-fixados e títulos públicos

A abordagem da XP para o mês reflete um posicionamento descrito internamente como manter o “pé no freio e olho no retrovisor”. A casa avalia que o carrego dos ativos de renda fixa segue atrativo no curto prazo, mesmo com o início do ciclo de afrouxamento monetário. A preferência recai sobre instrumentos mais seguros, sem ignorar completamente os prêmios interessantes disponíveis em determinados papéis de crédito privado.

Entre os destaques da carteira recomendada está a Letra Financeira do Tesouro (LFT) com vencimento em março de 2029, que oferece rentabilidade equivalente a Selic + 0,0%. Este título público pós-fixado serve como base defensiva da estratégia, indicado especialmente para composição de reserva de liquidez e para investidores que buscam menor volatilidade em suas aplicações.

Complementando a estratégia conservadora, a XP incluiu uma Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) do Banco Original com vencimento em abril de 2029. O papel oferece 91% do CDI e conta com a vantagem da isenção de imposto de renda, resultando em uma taxa gross-up de 104,25% do CDI quando ajustada pela tributação que incidiria sobre outros ativos similares.

Títulos indexados ao IPCA protegem poder de compra

A proteção contra a inflação ocupa papel central na carteira recomendada pela XP. A corretora selecionou diversos títulos indexados ao IPCA com diferentes prazos de vencimento, permitindo que investidores escolham horizontes compatíveis com seus objetivos financeiros. Entre as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), destacam-se papéis com vencimentos em 2030 e 2035.

A NTN-B com vencimento em agosto de 2030 oferece IPCA + 7,25% ao ano, com duration de 3,8 anos. Já a NTN-B Principal com vencimento em maio de 2035 apresenta rentabilidade de IPCA + 6,74%, com duration mais alongada de 9,0 anos. Estes títulos públicos garantem reposição inflacionária mais um ganho real, protegendo o poder de compra dos recursos investidos ao longo do tempo.

No segmento de crédito privado indexado à inflação, o CDB do BMG com vencimento em abril de 2029 oferece IPCA + 8,41%, com duration de 3,0 anos. Este papel apresenta prêmio superior aos títulos públicos de prazo similar, refletindo o risco de crédito adicional associado ao emissor privado.

Papéis prefixados apostam em queda dos juros

Para investidores que acreditam em uma trajetória descendente mais acentuada da taxa Selic nos próximos anos, a carteira inclui opções de títulos prefixados. A Nota do Tesouro Nacional série F (NTN-F) com vencimento em janeiro de 2031 oferece taxa de 13,12% ao ano, com duration de 3,7 anos.

No universo privado, o CDB do Banco C6 com vencimento em abril de 2030 apresenta rentabilidade prefixada de 14,35% ao ano, com duration de 4,0 anos. Títulos prefixados tendem a se valorizar quando as taxas de juros de mercado caem, oferecendo potencial de ganho de capital para quem mantém os papéis em carteira durante movimentos de redução da Selic.

Crédito privado exige seletividade e cautela redobrada

A XP alerta que o ambiente segue desafiador para investimentos em crédito privado, exigindo maior seletividade na escolha de emissores. O principal motivo é a manutenção dos juros em patamares elevados por período prolongado, que pressiona a saúde financeira das empresas e aumenta o risco de inadimplência. Por isso, a casa recomenda limitar a exposição a até 5% do patrimônio por emissor individual e manter no máximo 20% da carteira total alocada em crédito privado.

A preferência da corretora recai sobre emissores com fundamentos sólidos, boa liquidez no mercado secundário e histórico consistente de pagamentos. Entre os papéis selecionados, destaca-se o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Marfrig com vencimento em março de 2034, oferecendo IPCA + 9,40% ao ano. Este papel conta com isenção de imposto de renda, resultando em taxa gross-up de IPCA + 10,98% quando ajustada pela tributação.

Outro destaque é a debênture incentivada da Isa Energia (CTEEP) com vencimento em outubro de 2036. O papel oferece IPCA + 6,65% ao ano, também com isenção de imposto de renda, equivalendo a taxa gross-up de IPCA + 7,88%. A duration alongada de 9,7 anos torna este título adequado para investidores com horizonte de longo prazo que buscam retorno real relevante sem incidência tributária.

Diversificação equilibra segurança e rentabilidade

A carteira recomendada pela XP busca equilibrar diferentes perfis de risco e objetivos de investimento. A composição combina títulos públicos de baixo risco com papéis privados que oferecem prêmios mais elevados, além de diversificar entre indexadores pós-fixados, prefixados e atrelados à inflação. Esta abordagem permite que investidores montem portfólios personalizados de acordo com suas necessidades específicas de liquidez, horizonte temporal e tolerância ao risco.

Os títulos públicos federais (LFT, NTN-B e NTN-F) oferecem o menor risco de crédito do mercado, sendo garantidos pelo Tesouro Nacional. Já os papéis de instituições financeiras privadas (CDB do BMG, CDB do Banco C6 e LCA do Banco Original) contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.

Os certificados de recebíveis e debêntures incentivadas não contam com garantia do FGC, mas oferecem o benefício fiscal da isenção de imposto de renda. Este tratamento tributário favorável pode compensar parte do risco adicional, especialmente para investidores em faixas de tributação mais elevadas que busquem otimizar a rentabilidade líquida de suas aplicações.

Cenário macroeconômico influencia estratégia de investimento

A postura conservadora da XP reflete as incertezas que ainda permeiam o cenário econômico brasileiro e internacional. Embora o Copom tenha iniciado o ciclo de cortes da Selic, a inflação permanece como preocupação central das autoridades monetárias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) continua sendo influenciado por fatores que escapam ao controle direto da política monetária doméstica.

Entre os elementos que pressionam os preços, destacam-se a cotação elevada do petróleo no mercado internacional e as tensões geopolíticas que afetam cadeias de suprimentos globais. Estes fatores externos limitam o espaço de manobra do Banco Central para acelerar o ritmo de redução dos juros, mantendo a taxa básica em patamar restritivo por mais tempo do que o inicialmente esperado pelos agentes econômicos.

Este ambiente de juros elevados por período prolongado torna os ativos pós-fixados particularmente atrativos, pois permitem aos investidores capturar os rendimentos elevados sem assumir o risco de marcação a mercado que caracteriza os títulos prefixados e indexados à inflação. Por outro lado, também aumenta a pressão sobre empresas endividadas, elevando o risco de crédito no mercado de renda fixa privada.

Perspectivas para os próximos meses

O comportamento da inflação e as decisões do Copom nas próximas reuniões serão determinantes para a trajetória da renda fixa nos meses seguintes. Caso os indicadores de preços mostrem arrefecimento consistente e os riscos externos diminuam, o Banco Central poderá acelerar o ritmo de cortes da Selic, favorecendo títulos prefixados e indexados ao IPCA já posicionados em carteira. Por outro lado, surpresas inflacionárias podem interromper ou desacelerar o ciclo de afrouxamento monetário, mantendo os pós-fixados como opção mais segura. Investidores devem acompanhar estes desenvolvimentos para ajustar suas estratégias de alocação e aproveitar oportunidades que surjam com mudanças no cenário macroeconômico.

Este artigo é de natureza jornalística e informativa. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

Fonte: Money Times

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